Sinctronics, Brulim e Tetra Pak vencem 23ª edição do Prêmio de Mérito Ambiental

07 de Junho de 2017

Por Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em sua 23ª edição, o Prêmio de Mérito Ambiental da Fiesp e do Ciesp foi concedido à Sintronics (entre empresas de grande porte), Brulim (micro e pequeno porte) e Tetra Pak (responsabilidade social). O anúncio foi feito nesta terça-feira (6 de junho), durante a Semana de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp. Em 2017, foram inscritos 52 projetos, de 51 empresas.

Promovido anualmente, desde 1995, o Prêmio de Mérito Ambiental tem o objetivo de incentivar as empresas a desenvolver boas práticas, respeitando o meio ambiente. Trata-se de uma forma de reconhecer o trabalho desenvolvido pelas indústrias que se destacaram com resultados significativos na implementação de projetos ambientais no Estado de São Paulo.

Os projetos contemplaram um ou mais dos seguintes temas: gestão ambiental, eficiência energética, educação ambiental, gestão de resíduos, gestão de emissões de gases de efeito estufa (GEE), gestão de emissões atmosféricas, construção sustentável, mudanças climáticas, recuperação de áreas degradadas, remediação de áreas contaminadas, soluções sustentáveis, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, demonstrou o significado dessas iniciativas. “No conjunto das empresas, obteve-se a redução de 430 mil toneladas de insumos e matérias-primas, uma economia equivalente a 8 milhões e 600 mil sacos de cimento. Outro benefício alcançado foi o não-envio para aterros sanitários de 25 milhões de toneladas, que se traduz em mais de 3 milhões de caminhões compactadores. Com esses projetos, foram engajadas e impactadas mais de um milhão e 300 mil pessoas e foram plantadas mais de 4 milhões e 700 mil mudas de árvores ou quatro vezes a quantidade de árvores existentes no Parque Ibirapuera”, revelou Reis.

Empresas de grande porte

A Sinctronics conquistou o 1º lugar na categoria grande porte com o projeto Extração de matéria-prima a partir de produtos pós-consumo: tecnologia e inovação a serviço do meio ambiente.

Segundo Carlos Henrique Ohde, diretor da indústria, “o objetivo foi dar nova destinação aos resíduos eletrônicos, a fim de transformá-los em novo produto. Para isso, era preciso ter como foco a qualidade mecânica e das cores em um processo industrial robusto e com apoio tecnológico”. Trata-se de uma possibilidade de negócio diante do consumo cada vez maior de aparelhos eletroeletrônicos e, igualmente, o chamado “lixo” pós-consumo. O conceito dentro da planta industrial começou a ser amadurecida desde 2010, e até a fabricação propriamente dita de um novo produto foi preciso apostar no desenvolvimento de máquinas e na compra de outras. Conclusão: uma solução inovadora.

O projeto inclui coleta, processamento e reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos, fechando o ciclo de vida do produto, migrando da transição linear para o modelo circular e compreendendo que tudo é matéria-prima e o conceito de lixo não existe mais. O projeto atende à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é desenvolvido em harmonia com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Segundo a empresa, com base em dados da ONU, o lixo eletrônico cresce três vezes mais do que o convencional e, só no Brasil, é gerado meio quilo de descartes de componentes eletrônicos por habitante. Dados do Tecmundo indicam 2,6 kg de lixo eletrônico por habitante. Por ano, são fabricados cerca de 10 milhões de computadores, e apenas 2% dos produtos eletrônicos são descartados de maneira correta.

A Sinctronics surgiu em 2013 a fim de dar destinação ao resíduo eletroeletrônico, como uma unidade de negócios da Flex Brasil, uma das maiores indústrias de manufatura de eletroeletrônicos do mundo, com unidades em mais de 30 países e 3 unidades no Brasil.

Há quatro anos a Sinctronics oferece o serviço de logística reversa, que pode custar 30% menos para a indústria. Desenvolveu sistema próprio de gerenciamento que permite acompanhar os equipamentos do local de coleta até a entrada na fábrica, onde são reciclados e apenas 4% são utilizados na geração de energia, atendendo ao conceito de “resíduo zero” – nenhum material segue para aterro.

A malha logística atende a 100% do território nacional, com mais de 400 pontos fixos, com saldo de mais de 10.000 coletas realizadas ao ano. São processados e gerenciadas 1.700 toneladas de resíduos eletroeletrônicos ao ano, dos quais 257 toneladas são compostas por plásticos que retornam como resina plástica recicladas. Essas resinas são totalmente aproveitadas na fabricação de partes e peças de produtos novos, como gabinetes, partes internas e alças de embalagens.

O desafio foi viabilizar processo e tecnologia que permitissem recuperar os diversos tipos de plásticos utilizados e transformá-los em resina reciclada. Superada essa barreira técnica, o preço da resina reciclada tornou-se competitivo em relação à resina virgem. Essa resina ganhou marca própria, e seu diferencial é o apelo da economia circular com os dizeres na embalagem “Powered by circular economy”, um caso de sucesso que fecha o ciclo no setor eletroeletrônico: economia energética e menor emissão de carbono.

Com o processo implantado e consolidado em 2014, foi possível apurar uma redução das emissões de carbono na ordem de 284 toneladas de carbono equivalente (COeq) ano, segundo estudos realizados pela Universidade de São Carlos. Não apenas case de sucesso, mas modelo de negócio.

Menções honrosas

Novelis do Brasil – Ruptura de paradigmas: gestão sustentável de resíduos na unidade da Novelis em Pindamonhangaba (SP)

CP Kelco Brasil – Braspolpa – alimento sustentável para animais

Eaton – Zero resíduos para aterro sanitário (unidade de Mogi Mirim)

Ambev – Caminhos para construir um mundo melhor: ecoeficiência na Cervejaria Agudos

Entrega do Prêmio do Mérito Ambiental em sua 23ª edição. Foto: Everton Amaro/Fiesp



Micro e pequeno porte

O 1º lugar na categoria micro e pequeno porte coube à Brulim Comércio de Produtos Odontológicos, com o projeto Ecoinovação de produtos de processo em indústria de gesso.

“O segredo é estar ali na empresa, no dia a dia, com os funcionários e perceber o que pode ser melhorado no processo produtivo”, afirmou Ivete Maurício Bruno, sócia proprietária da Brulim, que conquistou bons resultados e o prêmio apenas com pequeno ajuste no processo produtivo, sem necessidade de investimento, mas com muita criatividade.

O objetivo do projeto foi apresentar ações de produção mais limpa tomadas em uma indústria de transformação mineral, a Ortho Gesso, como estudo de caso, uma MPE que industrializa gipsita (minério) para fins ortodônticos.

Após análise, foram identificadas falhas na cadeia produtiva relacionadas ao desperdício de recursos e alta geração de resíduos. Por meio de inovação de produto e melhorias de processo, a empresa aumentou em 6% a eficiência de consumo do recurso natural gesso, o que reduziu os riscos ambientais inerentes à geração de resíduos e possibilitou um aumento de faturamento de 27%. Na avaliação da empresa, gerar menos resíduos significa melhor utilização de insumos, e a transformação de resíduo em produto tem vantagens ambientais e econômicas.

O gesso produzido pela Ortho passa por peneiramento para elevar a qualidade do produto a fim de retirar resíduos (argila e grãos que não são cozidos) que somam 3% da matéria-prima e eram destinados ao descarte final. Outro momento de desperdício – por se tratar de pó de fácil dispersão – se refere ao gesso que se deposita fora do recipiente adequado e que somava 10% da matéria-prima peneirada.

Para evitar a perda de um recurso natural finito, foi realizado o treinamento dos colaboradores e a padronização do processo manual de peneiramento, além da adequação do local onde isso era feito para que fosse possível centralizar ainda mais o material peneirado. Essas ações tiveram como resultado redução de 50% do material perdido no peneiramento: era de 1 kg a cada 10 kg e foi reduzido para meio quilo. E, ainda, eliminando-se o acondicionamento intermediário, e realizando o ensaque final, a dissipação do produto, 1%, foi eliminada. Após as ecoinovações, o aproveitamento do lote aumentou de 86% para 92%, mantendo apenas os 3% de impurezas.

Menções honrosas

GEDI – Desenvolvimento e Inovação – CarbonZ – aplicativo de celulares para o cálculo de pegada de carbono e neutralização através do plantio de árvores em áreas degradadas

SP Pesquisa e Tecnologia – Desenvolvimento de Reatores de Pirólise de processo contínuo para transformação de resíduos e aplicação sustentável dos produtos gerados na indústria de borracha e no agronegócio

Commerciale Indústria e Comércio de Equipamentos Elétricos – Lavador Automático

Eccaplan consultoria em desenvolvimento sustentável – Campanha Sou Resíduo Zero

Categoria responsabilidade social

A categoria de responsabilidade socioambiental no Prêmio de Mérito Ambiental é uma oportunidade para profícua troca de experiências, na opinião de Gracia Fragalá, diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores) . Dos 52 projetos, 15 deles foram voltados para essa categoria. “Essas empresas são protagonistas desse movimento global que é o desenvolvimento sustentável e estão contribuindo para a transformação de vidas.”

A Tetra Pak se destacou em todas as categorias de responsabilidade social com o projeto Cuidando do futuro, lançado em 2014 com o objetivo de desenvolver líderes que possam gerir as cooperativas de catadores de materiais recicláveis no Brasil. A estratégia foi promover reuniões presenciais com consultores especializados na formação de liderança corporativa para que os integrantes conheçam o papel do gestor, o processo de tomada de decisão em grupo e até como identificar sucessores.

A partir desse projeto, a empresa atingiu 23% da taxa de reciclagem de suas embalagens pós-consumo. Como resultado, desde 2014 o projetou já capacitou 105 lideranças de 23 cooperativas de 13 municípios do Estado de São Paulo. A meta é expandir a iniciativa para outras regiões do Brasil.

A ideia do projeto surgiu em função da necessidade de fortalecer as cooperativas de catadores, preparando-as para enfrentar as fortes demandas em função do crescimento da cadeia de reciclagem. A iniciativa faz parte das ações da Tetra Pak no âmbito da Coalizão Embalagens, formada por 28 associações do setor empresarial engajadas na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A Tetra Pak é líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, e todas as embalagens da companhia, compostas por camadas de papel, plástico e alumínio são 100% recicláveis.

Conheça os destaques por indicadores:

Votorantim Cimentos – Abrangência, penetração e capacidade de mobilização

AES Eletropaulo – Impacto positivo gerado

Visafértil Indústria e Comércio de Fertilizante Orgânico – Regularidade

Concessionária Auto Raposo Tavares – Alinhamento ao negócio

Sindicato das Indústrias da Construção do Mobiliário e de Cerâmicas – Inovação e criatividade

Copastur Viagens e Turismo – Indicadores de gestão e acompanhamento de resultados

Para saber mais sobre os projetos, visite o site do prêmio, em http://hotsite.fiesp.com.br/meritoambiental/2017/cd/.

Notícia retirada de: FIESP